domingo, abril 1

Imigração Japonesa no Brasil

Emigração no Japão

O Japão estava superpovoado no século XIX. O país tinha ficado isolado do Mundo durante os 265 anos do período Edo (Shogunato Tokugawa), sem guerras, epidemias trazidas do exterior ou emigração. Com as técnicas agrícolas da época, o Japão produzia apenas o alimento que consumia, sem praticamente formação de estoques para períodos difíceis. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.

O fim do Shogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a era Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses ficaram endividados ou perderam suas terras por não poder pagar os altos impostos, que, na era Meiji, passaram a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (parte da produção agrícola).

Os camponeses sem terra foram para as principais cidades, que ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.

A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis e endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.

A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve grandes fluxos de emigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coreia e Taiwan. Somente no Brasil e Estados Unidos se formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Praticamente todos os imigrantes que formaram grandes colônias na Coreia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
Imigração Japonesa ao Brasil

Apartir de 1895, com a assinatura do Tratado de Amizade entre Brasil e Japão estabeleceu-se a abertura da possibilidade migratória entre os dois países. Nos anos subseqüentes, iniciou-se o trabalho de recrutamento no Japão com vistas ao início da imigração ao Brasil.

Contudo, a crise econômica ocorrida no Estado de São Paulo devido à queda brusca do café levou ao fracasso desta primeira tentativa migratória. De fato, somente a partir de 1908, chegou ao Brasil a primeira leva de imigrantes japoneses, constituída de 781 imigrantes contratados e mais 12 imigrantes sem vínculo de contratação. Eram trabalhadores temporários de curto prazo com planos de retorno após sucesso rápido, semelhante ao padrão outrora vigente no Havaí e demais países americanos. Entretanto, o fato do governo brasileiro ter exigido que os imigrantes constituíssem família fez com que a imigração japonesa no Brasil tenha seguido uma evolução peculiar em relação aos imigrantes que se dirigiram a outros países.

A imigração japonesa ao Brasil continuou até 1914 quando foi interrompida devido à suspensão de subsídios pelo governo paulista. A esta altura, o governo japonês começara a imprimir um cunho nacional e estatal à política migratória para o Brasil. Por outro lado, o governo de São Paulo, alegando que os imigrantes japoneses pelo fato de virem munidos de recursos financeiros tornavam-se independentes em apenas um ano e considerava mais compensador a vinda de colonos portugueses, espanhóis ou outros europeus. 

Assim sendo, o período de 1908 a 1925, constituiu o "primeiro período" de imigração nipônica subsidiada pelo governo japonês.

O período entre 1926 e 1941, é considerado o "segundo período" de imigração para o Brasil. Sendo também promovida pelo governo japonês. Amparada pela política e capital oficial do Japão, iniciou-se a introdução de imigrantes proprietários de colônias agrícolas, sobretudo, no interior paulista e áreas circunvizinhas o que favoreceria um rápido alastramento da produção de caráter comercial entre os imigrantes nipônicos. Naturalmente, a esta altura, os imigrantes colonos do primeiro período também já haviam progredido a ponto de se tornarem lavradores independentes na cultura de café e algodão.

O "terceiro período" a partir de 1953, a imigração foi retomada. Nesta fase, os imigrantes japoneses vieram, em sua maioria, com intenção de permanência definitiva. O período entre 1942 e 1951 marcou uma espécie de “branco” na história migratória entre Japão e Brasil. Se, por um lado, os laços que ligavam os dois países foram temporariamente partidos, por outro, estas circunstâncias teriam promovido o desenvolvimento efetivo da colônia japonesa no Brasil.

Houve, portanto, uma mudança de mentalidade – de intenção de migração temporária para fixação definitiva em solo brasileiro. Porém, esta mudança radical provocou tensões sociais e confusões no seio do próprio grupo. Em meio a essa fase de transição, tem-se a ocorrência de atos de terrorismo, a exemplo da Shindo-Renmei, como um problema decorrente da aculturação.

Muitas foram as transformações radicais às quais o imigrante japonês se sujeitou ao se fixar em terras brasileiras: alimentação, vestimentas, moradia, língua, além de outras vividas no campo da religiosidade.

Diferentemente dos países da América do Norte, onde muitos templos budistas e santuários xintoístas foram erguidos desde a fase inicial da imigração, no Brasil, devido às restrições impostas pelo governo local e ao fato da religião da maioria hegemônica ser a católica, as religiões japonesas eram praticadas informalmente.

Referências
Imigração Japonesa no Brasil. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_japonesa_no_Brasil> Acesso em: 10 dez. 2013.
Vários Autores. Centenário: Contribuição da Imigração Japonesa para o Brasil Moderno e Multicultural. São Paulo: Paulo's, 2010. 

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